Jack Gilbert Graham
A fotografia mostra Jack Gilbert Graham em um instante suspenso no tempo. Não há movimento, apenas a espera. É o momento imediatamente anterior ao fim, quando todas as palavras já foram ditas e nenhum gesto pode desfazer o que foi feito. Diante da câmara que o observa, Graham carrega no rosto o peso de um ato que ultrapassou sua própria vida. Em 11 de janeiro de 1957, na Penitenciária Estadual do Colorado, ele aguardava a execução após ser condenado pelo atentado contra o voo 629 da United Air Lines. O crime, concebido com frieza, não teve como vítima apenas dezenas de desconhecidos, mas também sua própria mãe, a quem ele transformou, cruelmente, em instrumento de sua ambição. Um artefato escondido em uma mala bastou para interromper quarenta e quatro existências em pleno céu, reduzindo um voo comum a destroços e silêncio. Naquele tempo, voar ainda era cercado de certa inocência. Não havia revistas rigorosas, nem o medo constante do inimigo invisível. A explosão rasgou mais do que a fu...