A Solidão é um Refúgio Perigoso
A solidão é perigosa. É viciante. Depois que se descobre o quanto ela pode ser pacífica, silenciosa e livre de conflitos, passa-se a evitar o barulho do mundo e o cansaço das pessoas. Na solidão não há julgamentos, não há discussões inúteis, não há a obrigação de agradar ninguém. Há apenas o silêncio, e nele muitas vezes encontramos descanso. Mas é justamente aí que mora o perigo. Aos poucos, a pessoa se acostuma demais consigo mesma, com seus próprios pensamentos, com sua própria companhia, e o que antes era apenas um refúgio passa a ser morada permanente. O que era descanso vira hábito, o hábito vira necessidade, e a necessidade vira isolamento. A solidão pode ensinar muito: ensina a pensar, a refletir, a se conhecer, a suportar a própria presença. No entanto, quando em excesso, ela também afasta, esfria sentimentos e cria muros invisíveis entre nós e o mundo. A pessoa passa a evitar encontros, conversas, visitas e, sem perceber, vai se afastando das pessoas que um dia ...