A Sabedoria da Mortalidade
No relato do Gênesis , Deus expulsa Adão e Eva do Jardim do Éden após a transgressão original, justificando o ato com uma advertência decisiva: “para que não estenda a mão, e tome também da árvore da vida, e coma, e viva para sempre” (Gn 3:22). A partir desse gesto inaugural, a imortalidade — simbolizada pelo acesso contínuo à árvore da vida — é deliberadamente negada à humanidade. À primeira vista, essa exclusão parece um castigo severo. Contudo, sob uma perspectiva biológica e evolutiva, o episódio pode ser reinterpretado paradoxalmente: longe de representar uma punição arbitrária, a interdição da imortalidade surge como uma condição necessária à própria dinâmica da vida. O que o mito apresenta como perda, a natureza revela como princípio estruturante. A morte não é uma anomalia nem uma falha do sistema vivo; ela é uma de suas propriedades mais fundamentais. Praticamente todos os organismos da Terra — de bactérias a plantas, de insetos a aves, de répteis a mamíferos — na...