Idelfonso Maia Cunha: crime, lenda e morte no sertão
Idelfonso Maia Cunha pertence à galeria sombria dos pistoleiros que marcaram a história violenta do sertão nordestino no século XX. Seu nome circulou durante décadas entre o medo e a admiração silenciosa, repetido em cochichos, processos judiciais, relatos orais e versões contraditórias que ajudaram a transformá-lo em lenda antes mesmo de sua morte. Pouco se sabe com precisão sobre sua infância. Como tantos outros homens que seguiram o caminho da pistolagem, Idelfonso nasceu em um ambiente marcado por pobreza, disputas de terra, mandonismo político e ausência quase total do Estado. Nesse cenário, a violência não era exceção: era linguagem, instrumento de poder e meio de sobrevivência. Ainda jovem, envolveu-se em conflitos locais, inicialmente como capanga de coronéis e proprietários rurais, prestando “serviços” que iam desde intimidações até execuções encomendadas. Com o tempo, Idelfonso deixou de ser apenas um executor obediente e passou a agir com autonomia. Tornou-se pistoleiro de r...