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Mostrando postagens de dezembro 7, 2025

Ana Néri

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  Anna Justina Ferreira Nery (Ana Nery): A Pioneira da Enfermagem Brasileira Anna Justina Ferreira Nery, mais conhecida como Ana Nery ou Anna Nery, nasceu em 13 de dezembro de 1814 na vila de São Félix, próxima a Cachoeira do Paraguaçu, na província da Bahia. Considerada a primeira enfermeira do Brasil e chamada carinhosamente de “mãe dos brasileiros”, ela se tornou símbolo de coragem, abnegação e patriotismo ao abandonar a vida confortável de viúva abastada para cuidar de soldados feridos durante a Guerra do Paraguai (1864-1870), a mais longa e sangrenta da história da América do Sul. Antes da Guerra Filha do comandante José Ferreira de Jesus e de Luísa Maria das Virgens, Anna pertencia a uma família tradicional baiana. Aos 23 anos, em 1837, casou-se com o capitão-de-fragata da Marinha Imperial, Isidoro Antônio Nery, médico cirurgião naval. Teve três filhos: Justiniano Ferreira Nery, Antônio Pedro Nery e Isidoro Antônio Nery Filho Em 1843, com apenas 29 anos, Anna ficou ...

Ela

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  E eu queria guardá-la na memória exatamente assim: em seu instante perfeito, radiante, antes que o peso do tempo e as regras do jogo nos desgastassem; antes que a dança entre nós se transformasse em um eco distante. Queria congelar aquele momento em que seus olhos brilhavam com a promessa de algo eterno, quando o mundo parecia suspenso - como se o universo, por um raro capricho, tivesse nos concedido trégua - e éramos apenas nós dois, intocados pelas inevitáveis rachaduras da vida. A memória tem esse poder agridoce: eterniza o que foi, mas também sussurra o que se perdeu. Eu queria lembrar dela na leveza de um sorriso espontâneo, no calor de uma tarde de verão em que as horas pareciam não ter fim; antes que a rotina, as expectativas e os silêncios não ditos erguessem paredes invisíveis entre nós. Era um tempo em que o amor - ou o que acreditávamos ser amor - ainda não conhecia o cansaço, e o futuro se abria como uma tela em branco, cheia de possibilidades. Hoje, penso nesse...

Hitler e a Dissolução das Resistências Coletivas

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  “Hitler inventou um método ao qual se pode chamar estratégia do grupo nazista. O ponto central dessa estratégia psicológica é jamais considerar o indivíduo como pessoa isolada, mas sempre como membro de um grupo social. Hitler sabia instintivamente que, enquanto as pessoas se sentissem protegidas pelos seus próprios grupos, permaneceriam imunes à sua influência. O artifício essencial consistia em quebrar a resistência espiritual e moral do indivíduo por meio da desorganização dos grupos aos quais ele pertencia. Ele sabia que um homem sem vínculos é como um caranguejo sem carapaça. Assim, sua estratégia tinha duas fases principais: a decomposição dos grupos tradicionais e, em seguida, uma reconstrução acelerada com base em um novo padrão de pertencimento social.” Esse trecho - retirado do capítulo “A Estratégia do Grupo Nazista”, no livro Diagnóstico do Nosso Tempo (Diagnosis of Our Time), de Karl Mannheim - sintetiza uma das interpretações mais profundas sobre o poder total...

Apenas um corpo na carga

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  “Hoje você pode estar na primeira classe de um avião, e amanhã pode ser apenas um corpo na carga.” Essa frase, fortemente realista e quase brutal, é um lembrete da fragilidade da existência e da velocidade com que as circunstâncias mudam. A vida troca os cenários sem perguntar se estamos prontos, sem avisar que aquele último embarque poderia ser mais literal do que gostaríamos. Num dia, há aplausos, privilégios, conforto e prioridade no embarque. No outro, pode haver silêncio, lágrimas e um trajeto final feito às pressas, embalado num caixão que passa pelas mesmas portas por onde antes se atravessava sorrindo, com passaporte em mãos. A humildade deveria ser o item número um na bagagem de qualquer viajante do mundo, porque não existe passagem garantida para o amanhã. Material, status, conta bancária, títulos e poder - tudo isso pode evaporar no instante em que a vida muda de rota. Um exame inesperado, um acidente, um descuido, um telefonema às três da manhã e, aquilo que p...

A Terra não é o inferno de um outro planeta?

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  “Como sabes que a Terra não é o inferno de um outro planeta?” - provocou Aldous Huxley. A frase ecoa quase como uma acusação, uma sombra lançada sobre nossa vaidade existencial. Olhamos ao redor e vemos um mundo repleto de contradições: povos inteiros devastados por guerras, líderes que manipulam seu povo com discursos vazios de moralidade, desigualdades que crescem enquanto poucos acumulam riqueza e poder. Às vezes parece mesmo que fomos depositados aqui à força, como exilados cósmicos cumprindo uma pena de duração indefinida. A provocação de Huxley ressoa porque há algo de profundamente incômodo nela. Vivemos cercados por tragédias que se repetem desde os primeiros registros da humanidade: conquistadores que devastam terras, ideologias que matam em nome de promessas, ditaduras que sufocam a esperança antes que ela floresça. Em momentos assim, é tentador imaginar que a Terra seria a penitenciária de um universo maior - um lugar onde seres imperfeitos são enviados para ap...