A Morte
Sei que um dia a morte virá, como um vento frio que apaga a chama de uma vela já cansada de arder. Não chega como surpresa, sua presença sempre caminhou ao meu lado, mas ainda assim carrega um peso que aperta o peito, um silêncio espesso que fala de tudo o que deixarei para trás. Ela não anuncia hora nem pede licença; apenas espera, paciente, enquanto seguimos fingindo que o tempo é infinito. Enquanto esse momento não chega, esforço-me para preservar dentro de mim um coração de criança, aquele que ainda se permite encantar com o brilho breve de um raio de sol atravessando a janela, com o som distante de uma canção esquecida ou com o voo despretensioso de um pássaro qualquer. Esse coração ingênuo é o que me lembra que a vida, apesar de tudo, ainda pulsa em detalhes quase invisíveis. Mas é com a coragem exausta de um adulto que sigo adiante. Uma coragem que não nasce da esperança, mas da necessidade. Enfrento o mundo com suas promessas quebradas, seus afetos frágeis e suas ci...