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Mostrando postagens de dezembro 14, 2025

Asas Partidas: o amor impossível de Gibran Khalil Gibran e Haia Daher

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  Asas Partidas, o único romance escrito por Gibran Khalil Gibran, é uma obra profundamente marcada pela experiência pessoal do autor e por um contexto histórico e social que moldou não apenas sua vida, mas também sua visão crítica do mundo. Publicado originalmente em árabe, em 1912, o livro nasce do encontro entre memória, dor e denúncia social, transformando um amor interrompido em literatura universal. Mais do que uma simples narrativa romântica, Asas Partidas é um testemunho da juventude de Gibran e um retrato sensível do Líbano do final do século XIX - uma sociedade fortemente hierarquizada, dominada por estruturas patriarcais e pela influência decisiva das instituições religiosas sobre a vida privada. O encontro e o amor Entre 1898 e 1902, Gibran retornou ao Líbano após um período em Boston, onde havia iniciado sua formação intelectual e artística. Tinha entre 16 e 20 anos quando passou a estudar árabe, literatura clássica e cultura local no Colégio da Sabedoria, em B...

A punição dos líderes da Rebelião de Münster

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A punição imposta aos líderes da Rebelião de Münster - marcada pela tortura pública e pela posterior exposição de seus corpos em jaulas suspensas na Igreja de São Lamberto (St. Lambertikirche) - não foi uma iniciativa direta da Igreja Católica enquanto instituição religiosa universal, mas sim uma ação conduzida pelas autoridades seculares da época, sob a liderança de Franz von Waldeck. Este, além de bispo de Münster, exercia também o poder temporal como príncipe-bispo, acumulando funções religiosas, políticas e militares, característica comum no contexto do Sacro Império Romano-Germânico. Franz von Waldeck governava Münster como um senhor feudal, com autoridade para levantar exércitos, impor leis e administrar justiça. Assim, embora ocupasse um cargo eclesiástico, suas decisões no contexto da rebelião foram tomadas sobretudo no exercício de seu poder secular. Essa fusão entre Igreja e Estado era estrutural naquele período histórico e dificulta qualquer separação clara entre o que...

O Justiceiro Chico Pé de Pato

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  Francisco Vital da Silva, conhecido como Chico Pé de Pato, nasceu em 1942 em Campo Alegre de Lourdes, no sertão da Bahia. Como muitos nordestinos da época, migrou para São Paulo em busca de uma vida melhor, estabelecendo-se no Itaim Paulista, na zona leste da cidade, um bairro marcado pela violência e pela pobreza nos anos 1980. Inicialmente, trabalhou como pedreiro e, com esforço, abriu um pequeno bar. No entanto, o estabelecimento tornou-se alvo constante de assaltos, extorsões e vandalismos por parte de criminosos locais. Cansado da impunidade e da falta de proteção policial, Chico começou a reagir aos ataques, sempre armado com uma faca, expulsando à força os bandidos de seu comércio e ganhando respeito (e medo) na vizinhança. O ponto de virada em sua vida ocorreu em 1984, quando, enquanto registrava mais um boletim de ocorrência na delegacia, cinco homens armados invadiram sua casa. Eles roubaram pertences e estupraram sua esposa e sua filha de 16 anos. Esse crime br...

A Idade: Um Convite à Vida

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  A idade chega para todos, como uma brisa inevitável que acaricia a pele e marca o tempo. A pele se enruga, os cabelos embranquecem, os dias se entrelaçam em anos, mas o que verdadeiramente importa permanece intocado. O coração que pulsa, a chama da alma, o brilho do espírito - esses são tesouros que o tempo não ousa roubar. Teu espírito é o espanador que afasta as teias de aranha da rotina e do conformismo. É a centelha que te recorda que, atrás de cada linha de chegada, existe sempre uma nova partida; e que, por trás de cada erro, há um convite silencioso ao recomeço. A vida, com suas reviravoltas, não é um fardo a ser carregado, mas uma provocação amorosa para seguir adiante, aprender mais, reinventar-se quantas vezes forem necessárias. Enquanto houver fôlego em ti, sente-te vivo. A vida é movimento, é transformação contínua. Se ousaste experimentar algo novo e o coração vibrou, não te contenhas: ouse outra vez. Não te aprisiones às fotografias amareladas do passado. El...