Carmine Mirabelli – O Médium Extraordinário


Conheça a história de um dos médiuns mais extraordinários que o Brasil já produziu: Carmine Mirabelli - também conhecido como Carlo ou Carlos Mirabelli -, protagonista de fenômenos de mediunidade de efeitos físicos considerados por muitos os mais impressionantes já registrados no país.

Filho de imigrantes italianos - seu pai, Luigi Mirabelli, era um pastor protestante -, Carmine nasceu em Botucatu, São Paulo, no dia 2 de janeiro de 1889. Desde a infância e adolescência, sua vida já se destacava dos padrões comuns.

Ele teve pouca instrução formal - apenas três anos de escola primária - e começou a trabalhar cedo no comércio. Foi empregado em uma loja de calçados em São Paulo, a Companhia de Calçados Villaça, onde os primeiros fenômenos mediúnicos intensos se manifestaram.

Por volta de 1914, após a morte de seu pai e um período de doença, Mirabelli começou a relatar visões de espíritos, incluindo familiares falecidos. Mas o que realmente chocou foi a explosão de efeitos físicos poltergeist: caixas de sapatos voavam das prateleiras, moviam-se sozinhas ou até o seguiam pela rua, causando pânico entre clientes e funcionários.

A loja virou um caos, com objetos saltando como se tivessem vida própria. Muitos atribuíram os acontecimentos ao "diabo", chamaram a polícia e até um padre para exorcismo.

Mirabelli, sem entender o que ocorria, perdeu o emprego. Aos 25 anos, por volta de 1914, a violência desses fenômenos levou a família a interná-lo no famoso Hospital Psiquiátrico do Juqueri (ou Juquery), em São Paulo.

Lá, foi examinado por renomados médicos como Dr. Franco da Rocha e Dr. Felipe Ache. Após observações e testes, a conclusão surpreendente foi: "Não há loucura. Trata-se de uma energia nervosa em excesso, algo que a medicina ainda não explica" - ou, em palavras famosas da época: "Se Mirabelli é louco, que loucura genial!".

Ele ficou internado apenas 19 dias e recebeu alta. Após isso, Mirabelli conscientizou-se de sua mediunidade e passou a controlar melhor os fenômenos, dedicando-se ao Espiritismo - influenciado por Allan Kardec.

Fundou instituições como a Casa de Caridade São Luís em Santos e integrou a Academia de Estudos Psychicos Cesare Lombroso em São Paulo, onde realizou centenas de sessões - mais de 390 documentadas entre 1919 e os anos 1920-1930. Seus fenômenos eram tão variados e espetaculares que atraíram atenção nacional e internacional:

Levitações dele próprio e de objetos/pessoas;

Materializações de espíritos (parciais ou completas, em plena luz do dia, com figuras reconhecidas por testemunhas, examinadas por médicos e fotografadas antes de se dissolverem);

Apports (transporte instantâneo de objetos e flores);

Xenoglossia (falar e escrever em até 28 idiomas, incluindo línguas mortas e dialetos que ele nunca estudou);

Escrita automática e psicografia em alta velocidade, dissertando com autoridade sobre temas complexos como Medicina, Direito, Astronomia, Filosofia, Teologia e mais;

Pintura mediúnica (reproduziu quadros famosos sem nunca os ter visto, com dezenas de telas produzidas);

Música (cantava em três vozes diferentes: tenor, barítono e baixo).

Muitos desses eventos ocorreram em plena luz do dia, com dezenas de testemunhas (incluindo médicos, engenheiros, advogados, militares e até o presidente da República da época).

Relatos descrevem sessões com até 60 observadores, e alguns fenômenos foram registrados em fotografias (embora haja controvérsias sobre edições em algumas imagens).

Mirabelli foi investigado por cientistas brasileiros e estrangeiros. Alguns, como o alemão Hans Driesch (1928) e o pesquisador inglês Theodore Besterman (1934), questionaram ou não confirmaram os fenômenos mais extraordinários, sugerindo truques em certos casos.

Outros, porém, consideraram-nos genuínos, e seu nome ecoou em círculos espíritas e de pesquisa psíquica mundial, sendo comparado a figuras como D.D. Home.

Apesar das controvérsias - e de episódios de perseguição, calúnias e até prisões por acusações variadas -, Mirabelli manteve-se generoso, atendendo pessoas necessitadas e divulgando os fenômenos até o fim da vida.

Faleceu tragicamente em São Paulo, no dia 30 de abril de 1951, aos 62 anos, atropelado por uma lotação na esquina de sua casa. Carmine Mirabelli permanece uma figura fascinante e polêmica: para os espíritas, um dos maiores médiuns de efeitos físicos da história; para os céticos, um caso de mistificação ou autoengano.

Seus relatos continuam inspirando debates sobre o inexplicável, provando que, no Brasil do início do século XX, a fronteira entre o visível e o invisível foi desafiada de forma impressionante.

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