Se Eu Não Voltar - Um Caderno Encontrado no Silêncio
Se eu não voltar - se um dia este caderno for encontrado sobre a mesa, ao lado de uma xícara já fria, ou de um rádio desligado, como um coração que cessou de bater - quero que saibas: cada palavra aqui foi escrita como quem acende uma vela diante do próprio abismo, não para desafiá-lo, mas para reconhecer sua profundidade. Não busquei iluminar o mundo com estas páginas. Busquei, antes de tudo, não me perder de mim mesmo. Escrevi para permanecer inteiro quando tudo ao redor parecia fragmentado. Escrevi com as mãos trêmulas, é verdade, mas com a alma exposta, sem defesas. Cada frase foi uma tentativa de existir quando o silêncio ameaçava me engolir, de respirar quando o ar parecia rarefeito demais. Talvez, ao abrirem este caderno, encontrem apenas isso: vestígios. Rastros de alguém que amou mais do que soube viver. De alguém que sentiu demais - e, ainda assim, não se arrependeu. Porque amar, mesmo em silêncio, mesmo sem resposta, foi o que me manteve de pé quando o chão cedia...