A Baleia que Cantava para o Vazio
Durante décadas, os oceanos do Pacífico Norte ecoaram um som que desafiava todos os padrões conhecidos. Não era o ronco de motores de navios, nem o ruído de equipamentos humanos. Tratava-se de um canto profundo, ritmado e solitário, emitido sempre na frequência incomum de cerca de 52 hertz, muito mais aguda do que os chamados graves - entre 10 e 39 Hz - das baleias-azuis e das baleias-comuns, as espécies cujas rotas migratórias mais se assemelham às dela. Enquanto as baleias costumam cantar em “coros” que viajam centenas de quilômetros e recebem respostas de outros indivíduos da mesma espécie, esse som ecoava sem resposta. Ele surgia todos os anos, geralmente entre agosto e dezembro, seguia rotas que cruzavam vastas áreas do Pacífico - das ilhas Aleutas e Kodiak, na costa do Alasca, até a Califórnia -, percorria até 70 km por dia e, no início do ano (janeiro ou fevereiro), desaparecia do alcance dos hidrofones. Nenhum outro canto exatamente igual foi detectado em outro lu...