O Futuro é a Velhice


 

A vida passa depressa, mais depressa do que estamos dispostos a admitir quando ainda somos jovens. Por isso, é preciso preparo para o que inevitavelmente nos aguarda ao final do caminho.

Acreditar que permaneceremos os mesmos ao longo dos anos é uma ilusão confortável, porém perigosa. O tempo não preserva: transforma. A juventude, com sua força abundante e energia quase insolente, não é um estado permanente.

O corpo cede, a mente amadurece, e os limites, antes ignorados, tornam-se evidentes. Reconhecer essa transição não é sinal de fraqueza, mas de lucidez. Ainda assim, muitos resistem.

Há quem, aos sessenta ou setenta anos, continue a se enxergar com os olhos dos vinte, insistindo em desafiar o próprio corpo, como se negar o tempo fosse uma forma de vencê-lo.

Essa recusa em aceitar a própria condição cobra um preço alto. Quantas vidas já se perderam na tentativa de repetir feitos que pertencem a outra fase da existência?

Montanhas escaladas por vaidade, velocidades mantidas por orgulho, sinais claros de fragilidade ignorados por medo de parecer fraco. Não se trata de coragem, mas de negação.

E é nesse conflito silencioso entre o passado idealizado e o presente real que surgem os acidentes, muitos deles irreversíveis.

Envelhecer exige uma coragem diferente daquela exaltada na juventude. Não a coragem impetuosa do risco, mas a coragem serena da aceitação. Saber envelhecer com dignidade é reconhecer os próprios limites sem se sentir diminuído por eles.

É compreender que viver de acordo com as condições atuais não é desistir da vida, mas respeitá-la. Cada etapa da existência carrega sua própria beleza. A velhice não é apenas o enfraquecimento do corpo; é também o aprofundamento do olhar, o refinamento do silêncio, a ampliação da memória.

O que antes era pressa transforma-se em contemplação. O que era urgência torna-se sentido. Envelhecer não é perder, é trocar. Troca-se força por sabedoria, velocidade por discernimento, impulsividade por profundidade.

O futuro, cedo ou tarde, será a velhice de todos nós. E a forma como chegaremos até ela depende das escolhas que fazemos hoje. Aceitar o tempo como aliado, e não como inimigo, talvez seja a mais alta forma de maturidade que um ser humano pode alcançar.

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