Nunca discuta com um tolo
“Nunca discuta com um tolo,
pois os espectadores podem não perceber a diferença entre vocês.”
Atribuída a diferentes autores
ao longo dos anos, essa frase sintetiza uma sabedoria antiga: nem toda
discussão merece resposta, e nem toda pessoa está disposta ou preparada para um
diálogo que faça algum sentido.
A vida está cheia de situações
em que um argumento lúcido encontra pela frente alguém movido pela teimosia,
pela desinformação ou pela má-fé. E quando isso acontece, insistir em explicar
o óbvio pode transformar o sábio em tolo - aos olhos de quem observa.
O risco da confusão moral e intelectual
Envolver-se em uma discussão
com quem não quer compreender, apenas vencer, costuma nivelar tudo por baixo. A
verdade, a razão e a lógica acabam diluídas no mesmo caldo da ignorância. Para
quem assiste de longe, a distinção entre lucidez e tolice desaparece.
É como se o debate se tornasse
um espetáculo, e não um diálogo. E nesse palco, quem se esforça para argumentar
corre o risco de parecer tão obstinado quanto aquele que se apoia em absurdos.
Exemplo no ambiente de trabalho
Imagine uma reunião onde um
colega insiste: - “Devemos pintar todo o escritório de preto, isso aumenta a
produtividade.” Não há dados, nem estudos, nem sequer uma justificativa
sensata. Apenas teimosia.
Se você entrar na disputa
tentando explicar cada detalhe, ponto a ponto, pode terminar parecendo tão
exagerado quanto ele. Um observador casual pode pensar: - “Olha lá… os dois
brigando por causa de uma cor de parede.”
Em situações assim, o silêncio
ponderado, a mudança de foco ou uma frase neutra como “vamos analisar isso
mais tarde com calma” é muitas vezes mais estratégica do que o confronto
direto.
O palco infinito
das redes sociais Nas redes sociais, o fenômeno é ainda mais evidente. Suponha
que alguém comente: - “A Terra é plana porque não vejo curvatura pela janela do
meu quarto.”
Responder com cálculos,
imagens de satélite e explicações geodésicas pode ser um exercício inútil se a
pessoa não está interessada em aprender, mas apenas em provocar. Pior: quem lê
a discussão pode enxergar dois extremos debatendo, sem distinguir quem está
defendendo ciência e quem está apenas brincando com o absurdo.
Muitas vezes, permitir que a
frase se dissolva sozinha no próprio ridículo é a melhor forma de preservação.
Não é arrogância - é discernimento
Evitar certas discussões não é
sinal de soberba, mas de sabedoria. Em algumas situações, debater é essencial:
quando há espaço para diálogo, quando a outra pessoa está aberta, ou quando o
tema tem consequências reais. Mas com o tolo, a disputa é sempre desigual - ele
não está comprometido com a verdade, mas com a própria obstinação.
É nesse espírito que surge a
famosa frase atribuída a Mark Twain:
“Nunca discuta com pessoas estúpidas. Elas vão te arrastar para o nível delas e
te vencer com a experiência.”
A escolha das batalhas
O verdadeiro sábio não foge da
conversa; ele simplesmente sabe quando uma conversa deixou de ser produtiva. Aprende
a reconhecer o terreno onde argumentos florescem e aquele onde apenas se afogam
no pântano da irracionalidade.
No final, escolher suas lutas é escolher sua paz, sua reputação e sua energia. Nem todo som merece eco, e nem toda provocação merece resposta. E às vezes, o silêncio é a forma mais elegante - e inteligente - de vencer.

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