A Regra de Platina
“Nunca faça aos outros o que você gostaria que fizessem com você.
Os gostos deles podem ser completamente diferentes dos seus.” Essa frase é uma máxima atribuída a George Bernard Shaw, dramaturgo irlandês ganhador do Nobel de Literatura em 1925.
Ela
aparece em diversas formas, mas a mais conhecida está na peça Homem e
Super-Homem (1903), no “Livro de Máximas do Revolucionário” (o famoso “Manual
do Revolucionário” que faz parte da obra).
A
ideia é um contraponto irônico à tradicional Regra de Ouro (“Faça aos outros o
que gostaria que fizessem a você”), presente no cristianismo, no confucionismo,
no judaísmo e em muitas outras tradições.
Shaw
achava essa regra ingênua porque parte do princípio de que todos desejam as
mesmas coisas - o que, na prática, muitas vezes não é verdade. Exemplos
práticos que ilustram a frase:
Você
adora receber abraços apertados. Seu amigo é reservado e detesta contato
físico. Abraçá-lo “porque você gostaria” seria, na verdade, uma invasão.
Você
acha que presentear alguém com um livro de autoajuda é um gesto carinhoso. A
outra pessoa pode se sentir julgada.
Você
curte brincadeiras sarcásticas. Seu colega de trabalho pode se magoar
profundamente com o mesmo tipo de piada.
Acontecimentos e ecos culturais
A
frase de Shaw ganhou nova vida na internet e virou meme, especialmente em
discussões sobre consentimento, limites pessoais e neuro diversidade. É comum
vê-la citada em contextos como:
Relacionamentos
amorosos: “Eu gosto de surpresas, então fiz uma festa surpresa pra ela” - “Ela
chorou de ansiedade no meio da sala”.
Educação
de filhos: pais que forçam atividades que eles mesmos amavam na infância (“Eu
adorava futebol, então obrigo meu filho a jogar”) ignorando que a criança pode
odiar.
Debates
sobre veganismo/religião/política: tentar “converter” alguém usando os
argumentos que te convenceram, sem considerar que a pessoa parte de premissas
totalmente diferentes.
Em resumo, Shaw propõe uma ética mais humilde: antes de agir “pelo bem” do outro, pergunte o que o outro de fato quer. É a diferença entre empatia real e projeção dos próprios desejos.

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