Por onde anda Luiz Roberto Barroso?


 

Gostaria sinceramente de saber por onde anda o ex-ministro Luiz Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, aquele que ficou conhecido por algumas frases que ultrapassaram os limites dos tribunais e entraram para o imaginário político brasileiro.

Uma delas foi o famoso “Perdeu, Mané!”, dirigido a um apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro. A frase ganhou enorme repercussão e acabou se tornando um dos símbolos do período de forte polarização política que o Brasil atravessou.

Outra declaração, ainda mais emblemática, foi: “Nós derrotamos o bolsonarismo.” Será mesmo, ministro?

Não sei por onde você anda atualmente ­– talvez cantando em alguma banda de pagode, como fez em determinado momento de sua vida pública –, mas talvez, de onde estiver, já tenha percebido uma coisa: o bolsonarismo não foi derrotado.

Pode ter perdido uma eleição. Pode ter sofrido derrotas políticas, judiciais e institucionais. Mas uma corrente política não desaparece simplesmente porque perde uma disputa eleitoral.

O bolsonarismo continua presente nas redes sociais, no Congresso, nas ruas e, principalmente, na cabeça de milhões de brasileiros. Seus adversários podem não gostar disso, mas negar sua existência seria apenas confundir desejo com realidade.

Aliás, talvez seja justamente esse o grande erro de quem acredita que movimentos políticos podem ser eliminados por decisões judiciais, discursos ou declarações de autoridades.

Ideias não desaparecem porque alguém determina que elas devem desaparecer. Podem ser combatidas, contestadas, derrotadas nas urnas e até desacreditadas. Mas continuam existindo enquanto houver pessoas dispostas a defendê-las.

E existe uma ironia ainda maior nessa história. A frase “Nós derrotamos o bolsonarismo” talvez tenha envelhecido muito mais rápido do que o próprio bolsonarismo.

Porque, ao contrário do que alguns imaginavam, ele não parece ter sido enterrado. Transformou-se, adaptou-se e continua influenciando o debate político brasileiro. Talvez, portanto, fosse prudente trocar a certeza pela reflexão.

Em política, declarar que o adversário foi definitivamente derrotado pode ser uma perigosa demonstração de excesso de confiança. A história costuma ser cruel com aqueles que acreditam que já escreveram a última página.

O bolsonarismo pode mudar de nome, de liderança, de discurso ou de estratégia. Mas, pelo menos até aqui, a realidade parece contrariar aqueles que anunciaram sua morte.

Perdeu, Mané?

Talvez a política brasileira ainda tenha algumas surpresas guardadas. E, pelo visto, a história ainda não terminou.

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