Entre fronteiras e bandeiras
“Encheram a Terra de fronteiras, carregaram o céu de bandeiras, mas só
existem duas nações: a dos vivos e a dos mortos.” – Mia Couto
Criamos fronteiras para separar povos, levantamos bandeiras para
representar nações e, ao longo da história, construímos muros, limites e
diferenças para dizer quem pertence a um lado e quem pertence ao outro.
Mas, diante da vida e da morte, todas essas divisões perdem o sentido.
No fim, somos todos passageiros do mesmo mundo, respirando o mesmo ar,
sentindo as mesmas dores, alimentando os mesmos sonhos e caminhando,
inevitavelmente, para o mesmo destino.
As fronteiras podem separar territórios, mas não conseguem separar a
condição humana. Talvez essa seja uma das maiores ironias da existência:
passamos a vida defendendo limites que, diante da eternidade, deixam de
existir.
Que possamos, enquanto estamos do lado dos vivos, aprender a construir
mais pontes do que muros, mais encontros do que distâncias e mais humanidade do
que diferenças.
Por a vida ser breve demais para ser desperdiçada em fronteiras que o
tempo, cedo ou tarde, inevitavelmente apagará.

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