A Tumba Mais Perigosa do Mundo


 

No Cemitério Nacional de Arlington, nos Estados Unidos, existe uma sepultura que se destaca pela sua singularidade e pelo perigo que ainda representa mais de seis décadas depois.

Trata-se do túmulo do Especialista 4 Richard Leroy McKinley (1933-1961), o único sepultamento radioativo de Arlington. Tudo começou em 3 de janeiro de 1961, na Estação Nacional de Testes de Reatores, em Idaho.

Durante a operação experimental do reator SL-1 (Stationary Low-Power Reactor Number One), um pequeno reator projetado para gerar energia em locais remotos, um dos operadores retirou manualmente uma barra de controle além do limite seguro.

Em frações de segundo, o reator entrou em supercriticidade: uma explosão de vapor liberou cerca de 20.000 megawatts em milésimos de segundo, fazendo o núcleo do reator saltar quase um metro.

Os três homens que estavam no local morreram. Dois instantaneamente (o Especialista 5 John Byrnes e o Marinheiro Richard Legg). McKinley sobreviveu por cerca de duas horas, mas absorveu uma dose letal de radiação várias vezes superior ao necessário para matar um ser humano.

Seu corpo ficou tão contaminado com isótopos radioativos de longa duração que as equipes de resgate só conseguiam trabalhar perto dele por poucos minutos de cada vez.

Não foi possível lavá-lo, embalsamá-lo nem o cremar sem risco de morte para os envolvidos. Para conter a radiação, o corpo de McKinley foi colocado em um caixão forrado com chumbo, selado a vácuo, envolto em camadas de metal e concreto, e enterrado a mais de três metros de profundidade em um cofre metálico.

Por precaução, ainda despejaram mais de 30 centímetros de concreto sobre o caixão. Ele foi transferido para Arlington a pedido da família. No arquivo do cemitério consta o alerta oficial da Comissão de Energia Atômica (AEC):

“Vítima de acidente nuclear. O corpo está contaminado com isótopos radioativos de longa vida. Sob nenhuma circunstância o corpo será removido deste local sem aprovação prévia da AEC em consulta com esta sede.”

Hoje, o túmulo em Seção 31, Lote 472 parece uma lápide comum de mármore branco. É seguro visitar o local (a radiação que ainda emana é mensurável, mas não representa risco para quem passa por perto).

No entanto, ele continua sendo o único sepultamento radioativo de Arlington e jamais poderá ser exumado ou transferido sem autorização federal especial.

Mais do que uma curiosidade macabra, a tumba de McKinley serve como lembrete silencioso dos riscos da era nuclear no auge da Guerra Fria - e das lições que mudaram para sempre os protocolos de segurança em reatores ao redor do mundo. Uma “tumba que ainda brilha”, invisivelmente, após mais de 65 anos.

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