A Solidão é um Refúgio Perigoso
A solidão é perigosa. É viciante. Depois que
se descobre o quanto ela pode ser pacífica, silenciosa e livre de conflitos,
passa-se a evitar o barulho do mundo e o cansaço das pessoas.
Na solidão não há julgamentos, não há
discussões inúteis, não há a obrigação de agradar ninguém. Há apenas o
silêncio, e nele muitas vezes encontramos descanso.
Mas é justamente
aí que mora o perigo. Aos poucos, a pessoa se acostuma demais consigo mesma,
com seus próprios pensamentos, com sua própria companhia, e o que antes era
apenas um refúgio passa a ser morada permanente. O que era descanso vira
hábito, o hábito vira necessidade, e a necessidade vira isolamento.
A solidão pode
ensinar muito: ensina a pensar, a refletir, a se conhecer, a suportar a própria
presença. No entanto, quando em excesso, ela também afasta, esfria sentimentos
e cria muros invisíveis entre nós e o mundo.
A pessoa passa a evitar encontros, conversas,
visitas e, sem perceber, vai se afastando das pessoas que um dia foram
importantes.
O ser humano não
nasceu para viver completamente sozinho. Precisamos de conversas, de risadas,
de alguém que nos escute e de alguém a quem possamos escutar.
Precisamos de presença, de afeto, de
convivência, mesmo que às vezes cansativa. Porque o excesso de solidão, embora
pareça paz, pode acabar se transformando em vazio. Por isso, a solidão deve ser
um lugar de descanso, não de moradia.

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