Brasil: Entre o Medo, a Mentira e o Silêncio”


 

Tudo o que está acontecendo no Brasil - e tudo o que ainda vier a acontecer - não poderá ser atribuído à ignorância ou surpresa. Os avisos foram dados, repetidos, gritados. Se o país continuar afundando, não será por falta de sinais, mas por pura covardia coletiva.

Somos vizinhos de uma das maiores tragédias políticas da América Latina, e os venezuelanos que fogem para sobreviver contam, todos os dias, como o seu país foi destruído passo a passo: primeiro a divisão, depois o controle, depois o medo, e por fim o colapso.

E mesmo diante desses testemunhos vivos, o Brasil marcha em velocidade assustadora pelo mesmo caminho - talvez até mais rápido. A cada dia vemos um Judiciário que age como se estivesse acima da Constituição.

Decisões arbitrárias, censura disfarçada, perseguições seletivas, silêncio forçado. Vemos Forças Armadas encolhidas, intimidadas, assistindo generais de alta patente serem expostos e humilhados sem reação institucional alguma.

Vemos um ex-presidente condenado em processos que metade do país interpreta como armação política - e a outra metade, como vingança. Mas o resultado prático é o mesmo: a justiça virou um instrumento de guerra, não de equilíbrio.

Enquanto isso, o governo federal age como se tivesse carta branca para reescrever o país ao gosto de uma ideologia antiquada e autoritária. E o Congresso? Um grande teatro de covardes: a maioria responde a processos, teme o STF e se ajoelha para preservar seus próprios privilégios. Não legislam - obedecem.

O povo assiste tudo passivamente. Acostuma-se à censura, acostuma-se ao medo, acostuma-se ao absurdo. Aprende a não falar, a não questionar, a abaixar a cabeça. Aceita viver sob tutela, como se liberdade fosse um detalhe dispensável.

E enquanto o brasileiro se adapta, o país se desintegra: economia fragilizada, insegurança jurídica, dúvida permanente sobre eleições, instituições disputando poder como máfias rivais, e um clima de intimidação que se espalha como veneno.

A verdade dura - dura o suficiente para cortar - é que o Brasil talvez já esteja em um estágio pior do que a Venezuela estava quando começou a cair. Lá, ao menos, muitos ainda acreditavam que estava tudo sob controle. Aqui, todos sabem para onde estamos indo - e mesmo assim continuam calados.

O país não está caminhando para o caos. Está correndo. E a maioria finge não ver porque prefere sobreviver ao invés de enfrentar.

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