Vontade de Deus


 

Não aposte cegamente na religião. Ao longo da história, sob o pretexto da “Vontade de Deus”, inúmeros fanatismos justificaram atos de intolerância, violência e exclusão.

Cruzadas foram travadas em nome da fé, guerras religiosas ceifaram milhões de vidas, hereges foram queimados em praças públicas e, ainda hoje, vemos atentados, perseguições e preconceitos sendo legitimados pelo uso deturpado do sagrado.

A verdadeira santidade, no entanto, não reside em dogmas inflexíveis ou em rituais repetidos sem consciência, mas na ação justa, na coragem de proteger os indefesos e na prática constante da bondade.

O que chamamos de “desejo divino” não está cristalizado apenas em textos antigos ou na interpretação de líderes religiosos, mas também naquilo que ressoa em nossa consciência e pulsa em nosso coração.

São as escolhas cotidianas - as pequenas atitudes de compaixão, os momentos em que resistimos à injustiça, os gestos de solidariedade diante da dor alheia - que revelam a essência de quem somos.

Ser uma boa pessoa não é cumprir um roteiro pré-estabelecido, mas ouvir a voz interior que clama por empatia, justiça e amor ao próximo. Olhe ao redor: quantas vezes a religião foi erguida como escudo para o ódio, para silenciar vozes ou para justificar o sofrimento?

Da Inquisição às guerras sectárias, da imposição de regimes teocráticos às discriminações contra minorias, o sagrado foi usado como arma de controle, medo e exclusão.

Mas, ao mesmo tempo, a história também guarda exemplos luminosos de pessoas que, inspiradas pela fé ou pela simples convicção moral, escolheram ser faróis de esperança.

Martin Luther King Jr., guiado por sua espiritualidade, desafiou o racismo e sonhou com uma humanidade mais justa. Madre Teresa, movida pela compaixão, dedicou sua vida aos mais pobres e esquecidos. Gandhi, com sua fé na não violência, enfrentou impérios sem erguer uma espada.

Essas trajetórias nos mostram que a essência da espiritualidade não está na obediência cega, mas na ação transformadora. A fé, quando genuína, não oprime: liberta. Não divide: une. Não impõe medo: desperta consciência.

Portanto, questione. Reflita. Aja. Não entregue sua humanidade a fórmulas prontas. A bondade não pertence a uma religião específica, mas é uma conquista diária, feita de escolhas conscientes.

O que você faz hoje - com suas mãos, suas palavras e seu coração - determinará, muito mais do que qualquer crença, se você será lembrado como um bom ser humano.

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